Dominando os Ciclos: A Arte de se Posicionar Diante dos Movimentos do Mercado
- Steffano De Bellis
- há 15 minutos
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Muitos buscam uma fórmula mágica para prever o futuro macroeconômico. No entanto, Howard Marks, um dos investidores mais respeitados da atualidade, nos ensina uma lição fundamental: embora não possamos saber o futuro, podemos — e devemos — entender o ambiente em que estamos e onde nos situamos no ciclo atual.
Por que Estudar os Ciclos?
O estudo dos ciclos não serve para prever datas exatas, mas para obter insights que permitam ajustar o nível de agressividade ou defesa de uma carteira. Quando as probabilidades estão a nosso favor, podemos aumentar as apostas; quando o cenário é de risco elevado, a cautela deve prevalecer.
Para Marks, o investidor de sucesso foca em três áreas:
· Conhecimento profundo: Saber mais que os outros sobre fundamentos de empresas e setores.
· Disciplina de preço: Atentar-se ao valor apropriado de cada ativo.
· Entendimento do ambiente: Compreender em qual momento do ambiente econômico o mercado se encontra.
A Natureza e a Inevitabilidade dos Ciclos
Os ciclos são inevitáveis e tendem a corrigir a si mesmos. Eles funcionam como um pêndulo: embora passem muito tempo em extremos (booms ou quedas), a regra geral é o retorno à média. O perigo cresce à medida que o movimento se afasta desse ponto médio; quanto mais as empresas prosperam e os preços sobem, maior o potencial de destruição futura.
O Pêndulo da Psicologia e o Risco
O comportamento humano é o grande motor das oscilações de mercado. O pêndulo da psicologia oscila entre a ganância e o medo, entre o otimismo e o pessimismo.
Na alta O otimismo leva à tolerância excessiva ao risco. Os investidores baixam a guarda, abandonam a análise minuciosa e aceitam prêmios de risco baixos. É o momento em que "o preço não pode estar alto demais" se torna um grito de guerra perigoso.
Na Baixa o medo toma conta. A aversão ao risco torna-se excessiva, e as pessoas passam a ignorar oportunidades de ouro para focar 100% em evitar perdas.
O investidor superior é aquele que mantém a disciplina: torna-se mais cauteloso quando os outros estão despreocupados e agressivo quando o pânico se instala.
O Papel Vital do Crédito
O ciclo de crédito é, talvez, o mais volátil e influente. Marks argumenta que a fase de "portas fechadas" do crédito — quando ninguém quer emprestar — é a que mais gera barganhas. Inversamente, quando o crédito é fácil e barato, as instituições brigam por mercado baixando seus padrões, o que invariavelmente leva a empréstimos imprudentes e perdas futuras.
Quanto menor a prudência com que os outros conduzem seus negócios, maior é a prudência que devemos ter com nossos próprios assuntos
Como Lidar com o Mercado: Preço vs. Valor
É fundamental descobrir o valor intrínseco de algo e comprá-lo por esse preço ou menos. Assim, quando o preço está abaixo do valor encontrado o negócio torna-se ainda mais atraente.
Por isso, para prosperar, o investidor precisa de uma estimativa correta do valor, atitude emocional para perseverar e paciência para que o mercado reconheça essa realidade.
O Ciclo do Amanhã
As pessoas frequentemente declaram o "fim dos ciclos" devido a inovações tecnológicas ou intervenções de bancos centrais. No entanto, enquanto a natureza humana for propensa ao excesso, os ciclos continuarão existindo.
Dominar o ciclo não é sobre acertar o "fundo do poço", mas sim agir de forma contrária ao consenso.



